CAROLINA
O prato favorito da Carolina é bife com batatas fritas e ovo a cavalo.
Todos os dias ela pergunta à mãe: «O que é o almoço?».
Se a mãe disser: «Escabeche de sardinha!», a Carolina vai para debaixo da cama com uma mola espetada no nariz.
Se a mãe disser: «Salada russa!», a Carolina esconde-se no guarda-fatos e só de lá sai para ir comer pão com marmelada.
Se a mãe disser: «Arroz de cabidela!», a Carolina tapa-se com as cortinas da sala e põe-se a espirrar.
Se a mãe disser: «Sopa de grelos e açorda de peixe!», a Carolina mete-se na casota do Bolinha enquanto o diabo esfrega um olho.
Se a mãe disser: «Rancho com grão e massa!», a Carolina dá meia volta e enfia-se na banheira toda enrolada no cortinado.
Se a mãe disser: «Pataniscas de bacalhau!», a Carolina vai para trás da cómoda como o Bolinha quando está amuado.
A mãe da Carolina fica sempre zangada porque a comida arrefece enquanto a Carolina desaparece.
Foi tanta a vez que isto aconteceu que um dia à pergunta da Carolina: «O que é o almoço?», a mãe logo respondeu: «Nabos cozidos com cebolas assadas!».
A Carolina pôs a língua de fora muito agoniada e fugiu a sete pés para dentro do baú e cobriu-se muito bem com as toalhas bordadas que lá estavam guardadas.
Passado um bom bocado, a Carolina sentiu na barriga um ratinho bem esfomeado que não queria nem os nabos, nem as cebolas, antes queria um bife com batatas fritas amarelinhas e ovo a cavalo.
E assim ela resolveu não sair do baú, preferia engolir ar! Enquanto isso, a voz da mãe ecoava pela casa: «Carolina, onde estás tu?».
O tempo passava e a fome aumentava. No escurinho do baú o estômago da Carolina até parecia que enrugava.
«Ai que fome!» pensou ela «Comia um prato cheio de nabos crus!». E ficou com água na boca só de imaginar uma travessa com grelos e bacalhau cozido, bem regados com azeite e com muitos dentes de alho!
Nesse momento, da barriga da Carolina veio um barulho estranho como se fosse um porco «RRRROOOOOOOOINC!».
Foi tão alto este barulho que a mãe da Carolina ao baú foi espreitar e lá deu com a Carolina que pulou do baú e correu para a mesa. Logo espetou uns poucos de nabos e ainda de garfo no ar disse, para mãe ainda espantada: «Vou comer tudo o que está no prato!». E a partir daquele dia fosse bacalhau ou carapau, galinha ou sardinha, a Carolina nunca mais se escondia e tudo o que estava no prato…desaparecia!
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