quarta-feira, 30 de abril de 2008

Branca de Neve e Rapunzel Tomam Chá - III


Rapunzel – Eu? Que tenho eu de tão errado para não poder ajudar uma amiga em apuros?

Branca de Neve – Para já, nem eu estou em apuros e nem sou tua amiga. Este chá que estamos a tomar chama-se diplomacia. Afinal, somos duas estadistas, não é assim?

Rapunzel – Lamento que penses dessa forma, Branca de Neve. E o chá, a que chamas chá, é uma reles infusão. Para estadista, mandas servir uma água quente boa para lavar o cabelo.

Branca de Neve – Só percebes é de cabelos, Rapunzel.

Rapunzel – Não percebo assim tanto, senão tinha pintado o meu como tu fazes…

Branca de Neve – Claro que não pintas, Rapunzel, mas usas extensões que eu sei muito bem.

Rapunzel – Eu NÃO uso extensões! Cala-te! Cala-te! Cala-te!

Branca de Neve – Se não usas, usaste! Eu sei!

Rapunzel – Só quando a bruxa me cortou o cabelo para enganar o príncipe! Foi um recurso, foi um recurso, não vale…

Branca de Neve – Pronto, não chores, Rapunzel… eu fiquei irritada, não te queria magoar. Perdoas amiga?

Rapunzel – Claro que sim. Eu não gosto de me lembrar da bruxa Gothel…vem-me tudo à cabeça… o príncipe a atirar-se da janela e a ficar cego… eu no deserto à procura de bagas e raízes para comer…
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segunda-feira, 28 de abril de 2008

Branca de Neve e Rapunzel Tomam Chá - II


Rapunzel – Muito obrigada, Branca de Neve, está bem assim. Detesto ver uma chávena de porcelana fina a transbordar de chá, depois o pires fica encharcado, fica a chávena a pingar…Desculpa estas manias, Branca de Neve.

Branca de Neve – Oh minha querida, eu desculpo tudo depois de viver com os sete anões! Passava o dia a varrer, a arrumar, a cozinhar. Tinha de arrumar coisas minúsculas dentro daquela casa minúscula. Um pesadelo com dores de costas, um horror!

Rapunzel –Mas eles não te salvaram a vida?

Branca de Neve – Se achas que salvar a vida a alguém é dizer: olha, ficas aqui connosco, mas limpas, cozinhas, coses e cuidas de nós que somos sete anões podres de ricos!

Rapunzel – Que bela maneira de lhes agradecer a hospitalidade, Branca de Neve. Eles até te fizeram um caixão de cristal quando foste envenenada pela tua madrasta.

Branca de Neve – Disseste bem! Fizeram um caixão porque pensaram que eu já tinha ido desta para melhor. Nem sequer se deram ao trabalho de pôr um espelhinho debaixo do meu nariz para ver se ele ficava embaciado! Só para o caso de eu estar VIVA!

Rapunzel – Não precisas de gritar comigo. Eu entendi perfeitamente. Acho que precisas de ajuda especializada para resolver essa questão da tua vida.

Branca de Neve – Eu convidei-te para tomares chá no meu palácio e não para me dares conselhos, para isso tenho o Grilo do Pinóquio.

Rapunzel – Pois, eu acho, então, que devias ouvi-lo mais vezes. Ele é muito acertado e tu és uma pes…

Branca de Neve – BASTA, Rapunzel! Basta. Não preciso que me digas o que fazer, logo tu!
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quarta-feira, 23 de abril de 2008

Histórias de Domingo no Gato Vadio

terça-feira, 22 de abril de 2008

Branca de Neve e Rapunzel Tomam Chá - I


Branca de Neve - Tens um cabelo tão bonito!
Rapunzel - Achas? Eu gostava que em vez de loiro, fosse negro
como o teu.
Branca de Neve - Então pinta-o, como eu faço!
Rapunzel - Tu pintas o cabelo?!
Branca de Neve - Claro! Fica melhor nos livros!
Rapunzel - Mas a nossa beleza deve ser natural, senão enganamos as crianças que ouvem a nossa história, Branca de Neve.
Branca de Neve - Oh, Rapunzel, minha querida... Tu ficaste fechada naquela torre horrível durante muito tempo, não foi?
Rapunzel - Estás a ser desagradável.
Branca de Neve - Pronto, pronto... Queres mais um pouco de chá?
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segunda-feira, 21 de abril de 2008

A Menina que vivia no Relógio de Cuco


Um certo relógio de cuco, tão antigo como a lua, guardava um segredo bem guardado.
Lá dentro vivia uma Menina muito, muito pequenina. Do tamanho de um amendoim.
Como todas as meninas, ela gostava de brincar. Passava os dias pendurada, às cambalhotas e a escorregar por dentro das geringonças que faziam andar os ponteiros do relógio.
Por causa das brincadeiras da Menina os ponteiros atrasavam ou adiantavam. E lá da janela saía o Cuco disparado a cantar:
- Cúcú! Cúcú! Cúcú!
Todos pensavam que aquele Cuco tinha um parafuso a menos.
Ninguém sabia da Menina brincalhona que vivia dentro daquele relógio que nunca dava horas certas.
Este pássaro era negro, grande e falava como se estivesse a bater castanholas. Ele dizia à Menina que era um Cuco.
Quando os donos do relógio estavam a dormir, a Menina trepava até à portinhola por onde o Cuco aparecia às horas, meias-horas e quartos-de-hora.
Ela ficava ali durante a noite inteira a ver as sombras misteriosas a deslizarem nas paredes. Que lindas eram! Se ela ao menos pudesse parar a noite como fazia com os ponteiros do relógio!
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sábado, 19 de abril de 2008

Gata Borralheira - Direito de Resposta

Em nome das muitas imprecisões que rodeiam a minha história, eu, Gata Borralheira, sinto-me na obrigação de contar a verdade nua e crua.

Um direito de resposta nunca silencia as consequências dos boatos. Uma vez lançados os dados é impossível travar a sua dança cruel. Porém farei o que estiver ao meu alcance para recuperar a minha dignidade.

Não vale a pena toldar os olhos das crianças com factos absolutamente idiotas, mais tarde ou mais cedo, tal como o azeite a verdade aparece a boiar, em rodelas coloridas e oleosas no topo da água que alguns julgam cristalina.

Chega de palavras mansas, chega de aturar mentiras sobre mentiras. Já esfreguei muito soalho nesta vida, já passei toneladas de roupa, já separei quilos de lentilha com bicho de lentilha sem bicho. Enfim, sofri tanto que as calúnias que contam sobre mim são insuportáveis para um coração digno como é o meu.

Após este breve esclarecimento, segue toda a VERDADE sobre a minha biografia:

1) O meu nome NÃO é Cinderela!

Esse nome surreal semelhante ao de uma marca de cosméticos é absolutamente falso.

O meu nome verdadeiro é Gata Borralheira. Este nome é a prova das mortificações pelas quais as minhas duas irmãs adoptivas, mais a minha madrasta, sua mãe, me faziam passar.

Elas obrigavam-me a dormir nas cinzas do borralho, quer dizer, da lareira. Daí o Borralheira!

Quanto à Gata, não sei de onde vem, talvez eu dormisse enroscada como os gatos dormem junto ao lume… Depois deste trauma, a minha memória nunca mais foi a mesma. Se calhar foi da alimentação pobre à base de cascas de batata que me faziam comer…

2) Por muito que me custe dizer isto, as duas irmãs que me infernizavam os dias NÃO eram feias!

Como é da verdade que estamos tratar é preciso dizer que ambas eram bonitas.

Dito isto espero nunca mais folhear um livro onde aquelas duas são verdes, gordas, verruguentas, em suma grotescas.

As duas eram lindas, se fosse hoje, podiam ser modelos. Elas só tinham um problema: o tamanho dos pés. Tal como o Aquiles, as minhas irmãs foram derrotas por aquela parte do corpo.

A mais velha, a pedido da inconsciente da madrasta que lhe chegou a faca e tudo, cortou o dedão grande do pé para que ele coubesse dentro do sapato que era meu.

A mais nova, seguindo o mesmo conselho idiota, lascou um pedaço do calcanhar para ver se o sapato lhe cabia. Eu ainda lhe sugeri a pedra-pomes que usava para polir os calos das minhas mãos, mas ela recusou e deu-me um estalo.

3) NUNCA, MAS NUNCA, me apareceu pela frente uma fada de mãos largas!

As fadas são boas para os que comem cogumelos ou para os que fazem filmes capitalistas. Como, mas como, podem enfiar esta peta na minha história?

Quem me deu o vestido, os sapatos e a tiara foi um passarinho que estava empoleirado numa nogueira. Esta nogueira cresceu em cima da campa da minha mãe, no jardim. Os cemitérios são uma coisa recente, como sabem!

Eu falava com essa nogueira para não ficar maluca de tanto trabalhar e quando as minhas irmãs e madrastas me proibiram de ir ao baile do príncipe, eu cantei para a árvore:

Árvorezinha, sacode os teus ramos frondosos e cobre-me de ouro, prata e mais objectos preciosos!

E pássaro lançou-me a toilette! Voilá!

3) Eu NÃO fui de coche para o baile do príncipe!

A coisa da abóbora, dos ratos e ratazanas transformados em cavalos e em cocheiros, rolas em damas de companhia e etc, não passa de uma estupidez para os espíritos mais crédulos.

Mal tive o conjunto para ir ao baile, pus-me na alheta e corri o mais que pude. Hoje em dia, os crédulos que engolem a coisa da abóbora, não imaginam o trabalho que davam os coches! Pensam que era meter a chaves na ignição e estacionar….

4) Os meus sapatos NÃO eram de cristal!

Eu jamais poderia correr com sapatinhos de cristal! Claro que esta fantasia ridícula tem cabimento se se pensar que fui transportada de coche, que na verdade era uma abóbora… Enfim!

Para ser exacta eu calçava na altura, um par de pantufas (leram bem pantufas) parecidas com aquelas que se compram na Serra da Estrela, mas bordadas a prata e ouro.

5) NUNCA se ouviram as doze badaladas!

Este pormenor passou a ser inventado quando as adolescentes começaram a querer sair à noite e os pais não sabiam como marcar-lhes uma hora de regresso. Então, o que fizeram? Toca a contar a história miserável da Cinderela!

Fiquem a saber, pais desnaturados, que eu voltei do baile para casa logo que anoiteceu! Pois é! Não foi à meia-noite! Foi bem mais cedo e para chegar a horas, tive de correr bem!

Para não descobrirem quem eu era, tive que me atirar primeiro para trás de um pombal, depois para trás de uma pereira e no fim ia caindo pelas escadas abaixo.

E só fui descoberta porque o príncipe, agora meu marido e rei, besuntou a escadaria do palácio com pez (uma substância resinosa extraída do pinheiro e de outras árvores coníferas). Eu não sabia e pantufa ficou lá agarrada! Eu e o príncipe, agora meu marido e rei, rimos muito ao recordar esse momento!

Assim sendo, eu não perdi nenhum sapato! Além do mais eu não sou de perder coisas e mulher nenhuma do mundo perde um sapato e continua a correr (a não ser que esteja no meio da estrada com um autocarro a passar).

6) A parte da história que NUNCA contam!

Imagino que as verdades melindrosas não sejam contadas para proteger os mais vulneráveis, mas isto é justiça. E da bíblica!

Porque é que nunca contam, eu pelo menos nunca ouvi, que os olhos das minhas irmãs foram vazados no dia do meu casamento?

Lembro-me perfeitamente, elas ladeavam-me com aquele ar falso de donzelas, quando duas pombas vieram do nada e trás! Uma limpeza! Cegas para o resto da vida! Ficaram logo ali à porta da igreja a pedir esmola, à chuva e ao sol!

Eu sou boa, amiga dos animais, tenho um coração de ouro, mas quando me pisam os calos, não me esqueço! Nunca mais quis saber delas para nada.

………………………………. FIM………………………………….

terça-feira, 15 de abril de 2008

O Espantalho e o Mar


O Espantalho sonhava conhecer, um dia, esse sítio que os animais diziam ser o fim do mundo e de que Hália, a gaivota, falava com entusiasmo.
Ouvinte das histórias contadas pelos bichos que pulavam livremente por todo o lado, o Espantalho gostava de ter a oportunidade de conhecer outros lugares.
Ele que estava ali espetado dia e noite, sujeito ao frio, à geada do Inverno, ao sufoco do Verão, sem poder correr pelo campo fora, tinha um desejo que ia crescendo no fundo do seu coração de palha.
O Espantalho queria ver o Mar!
As cercanias ele conhecia-as bem, ou pelo menos, tinha uma ideia de como seriam.
Mas o Mar... O Mar era um belo mistério que queria desvendar.
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História da Matrioska Contada Tim Tim por Tim Tim no Café Progresso

quinta-feira, 10 de abril de 2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O Reino-da-Bela-Vida

História sobre um reino onde nunca faltava alimento...
De tal maneira a vida era folgada que este reino ficou conhecido para sempre por Reino-da-Bela-Vida.



Neste sítio extraordinário, a terra era tão fértil que um pé de couve crescia num só dia.
Os habitantes do Reino-da-Bela-Vida tinham que comer o ano inteiro, eram redondos como pipas e andavam sempre satisfeitos.



O rei Bechamel I era o rei deste reino fantástico. Ele andava sempre enfadado, pois nunca havia nada que fazer.
Apesar disso tinha muitos Conselheiros… que não o aconselhavam como é suposto fazerem!
Mal ouviam o real:
-OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOH!
Os conselheiros corriam para entretê-lo com acrobacias, malabarismos, canções, truques de magia, histórias… mas no final ouviam sempre o real:
-OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOH!




Um dos passatempos favoritos do rei Bechamel I era contar as moscas que voavam aos esses na Sala do Trono.
Certo dia, já tinha contado mil moscas e ia para a milésima primeira, quando é interrompido pela correria dos Conselheiros.
Uma desgraça caíra no próspero Reino-da-Bela-Vida!




Os campos estavam tão secos que nem as batatas davam grelo! Secos como pedras!
As árvores da floresta tombavam como lenha seca!
Até o mar estava vazio! As redes de pesca vinham vazias! Não se pescava nada! Nem um berbigão!



O rei Bechamel I do alto do seu trono, bateu com o ceptro no chão e disse bem alto:
- Eu ordeno que mil homens carregados de mil baldes se dirijam até aos rios e aí os encham com água para regar os campos secos!
Mas isso era impossível explicaram os Conselheiros roendo as unhas. O leito dos rios de tanto ser usado para tornar as terras férteis, transformara-se num fiozinho de água lamacenta que mal dava para beber!




Do Reino-da-Bela-Vida chegavam notícias cada vez piores!
Quando um Mensageiro anuncia que o povo luta entre si por comida numa paisagem árida, sem bichos, nem plantas, os Conselheiros correm para ajudar as suas famílias!
Para trás fica o rei Bechamel I, sem saber o que fazer. Mergulhado nas doces memórias de um reino abundante, ele acaba por adormecer e sonhar um sonho horroroso.




No sonho, entrava pela janela um grão de areia muito dourado, rodopiava pela sala e pousava aos seus pés.
A seguir vinha outro grão, depois outro e ainda outro e outros se seguiam a estes, até fazerem um vasto deserto dourado que cobria o reino de lés-a-lés, engolindo-o e fazendo-o desaparecer para sempre.
Então o rei começava a chorar mas as lágrimas não corriam, porque ele estava coberto de areia. Aflito, ele esperneava para se soltar da areia que o prendia.




- Au! – gritou alguém que não estava dentro do sonho horroroso.
- O que estás a fazer aqui? – perguntou o Rei Bechamel que acordou logo com aquele grito.
À sua frente estava um Conselheiro agarrado ao nariz! Sem querer o Rei tinha-lhe dado um pontapé mesmo em cheio.
Ao ouvir os suspiros do Rei, este Conselheiro tinha tido pena dele e decidiu ficar para o ajudar. Por isso respondeu:
- Eu estou aqui para ajudar a trazer de novo a água aos rios, os animais à floresta e o azul ao céu!


E assim os dois lembraram-se de aproveitar a frescura da chuva, a força do vento e o calor do sol para fazer renascer o Reino-da-Bela-Vida.



Rei e Conselheiro, conseguiram unir todas as pessoas do reino, explicaram-lhes o plano e de um dia para o outro foram construídos tanques de água no cume das montanhas, moinhos de vento nos rochedos junto ao mar e colocados espelhos nas telhas das casas!
Aos poucos na terra o musgo apareceu, deu lugar à relva que deu lugar às árvores, que deram abrigo aos pássaros que chamaram os outros animais para a floresta, para a água do rio e do mar.




O Rei Bechamel I reuniu, depois, os súbditos e todos juntos prometeram cuidar de cada bicho, de cada flor, de cada folha, de cada gota de água do Reino-da-Bela-Vida.
No fim de tudo isto, o Rei Bechamel I sentou-se no seu trono para ver a noite que caía pela janela. E sentia-se feliz como nunca se tinha sentido.



sexta-feira, 4 de abril de 2008

História da Matrioska Contada Tim Tim por Tim Tim no Dspace

Peter Pan e Bela Adormecida


Bela Adormecida: Achas-me bonita?

Peter Pan: Não és de deitar fora.

Bela Adormecida: Sabes, tenho alguns segredos de beleza.

Peter Pan: Tens?

Bela Adormecida: Se tenho! O sono é importantíssimo para manter uma pele saudável, por isso sou tão bonita ao fim destes anos todos a dormir.

Peter Pan: Uma data de anos?! Quantos anos tens?

Bela Adormecida: Ora deixa ver…Quando me piquei no fuso tinha quinze anos… fiquei a dormir cem…portanto tenho…cento e quinze anos.

Peter Pan: Então és uma velha!

Bela Adormecida: Eu não sou velha, ouviste bem? Eu não sou velha!

Peter Pan: Pois não, não és… Olhando bem para ti, eu dava-te no máximo dos máximos treze anos. A sério. És muito bonita, Bela Adormecida.

Bela Adormecida: Eu sei que sou, senão tinha outro nome estúpido como Branca de Neve, Gata Borralheira ou Pocahontas.

Peter Pan: Tu és casada?

Bela Adormecida: Claro. Tu não conheces a minha história?

Peter Pan: História com alguma Bela, só a do Monstro. Vi o filme.

Bela Adormecida: Santa ignorância! Hoje em dia o que é que se ensina às crianças na escola?

Peter Pan: Detesto escola! Nunca fui, nunca irei e tenho raiva de quem algum dia foi à escola!

Bela Adormecida: Mas os teus pais não te contaram a minha história?

Peter Pan: Eu não tenho pais. Eu sou da Terra do Nunca, na Terra do Nunca só existem meninos órfãos.

Bela Adormecida: Então, tu é como se fosses o pai deles todos, não?

Peter Pan: Pai?! Mas eu sou um menino!

Bela Adormecida: Tu és mais alto do que eu! Não vês?

Peter Pan: Só vejo um espinha mesmo na ponta teu nariz. Das brancas que metem nojo.

Bela Adormecida: Onde? Onde?

Peter Pan: Estava a brincar. Gostaste?

Bela Adormecida: És completamente idiota. De facto só cresceu o pacote, lá dentro o conteúdo é pequeno.

Peter Pan: Eu não cresci! Não voltes a dizer isso!

Bela Adormecida: Vamos lá ver, que idade tens?

Peter Pan: Eu não sei… Só sei que os meus dentes são todos de leite!

Bela Adormecida: Com essa barba, já tens os do siso e com chumbo.

Peter Pan: Eu não tenho barba!

Bela Adormecida: Tu és um homem. Adulto.

Peter Pan: Tu estás é parva! Eu nunca vou ser crescido. Eu vou ser sempre um menino para poder brincar! Nem vou deixar que ninguém me apanhe para fazer de mim um homem! Essa é boa!

Bela Adormecida: És um menino da mamã, isso sim! Dos que ao fim-de-semana levam a trouxa de roupa para ela lavar. Detesto homens assim, com complexo edipiano à solta.

Peter Pan: Não compreendo nada do que estás para aí a dizer…

Bela Adormecida: Cala-te lá, ó criançolas! Tu e os da tua laia irritam-me solenemente. Andam sempre debaixo das saias da mamã, qualquer rapariga que encontrem esquadrinham nela resquícios da mamã. Não ajudam em nada, sempre no sofá, sentados, à espera que a mamã lhes faça tudo. Que inferno!

Peter Pan: Eu não fico no sofá! Eu voo e entro pelas janelas dos quartos dos meninos como eu!

Bela Adormecida: Não venhas cá com histórias da carochinha. Com o teu tamanho só entras e é pela porta.

Peter Pan: És mesmo parva! Pode-se ser criança até quando se quiser. Claro que tu não podes saber disto, porque dormes demais e não percebes nada da vida.

Bela Adormecida: Eu sei muito bem o que é a vida, não preciso que um estarola me venha dar explicações. Meu menino, digo-te eu, que o tempo é igual para todos nós e a partir dos dois aninhos é o princípio do fim. Kaput!

Peter Pan: Então se é assim comigo, porque razão o tempo parou para sua excelência aos quinze anos?

Bela Adormecida: Olha, porque sim. Eu sou diferente, sou uma princesa. Tinha as fadas todas a torcer por mim, cada uma delas de me deu qualidades como formosura, inteligência, amabilidade.

Peter Pan: Blá, blá, blá. Eu sou da Terra do Nunca, para onde vão os bebés que caem dos carrinhos e que não são reclamados por ninguém, ouviste? Quando as crianças morrem, sou eu quem as acompanha uma parte do caminho para que não tenham medo! Eu faço isto tudo e tu, sua inútil? Sua burguesa!

Bela Adormecida: Não tenho culpa se a minha história é melhor do que a tua! Fiquei a dormir e depois? Dormir é meio sustento, o que é queres?

Não ando a aí a assustar crianças, eu encanto-as com a minha felicidade!

Peter Pan: Aí é que está! Tu és uma mentira com pernas! Nem tiara tens, sua desarrumada. Quem é que tem cento e quinze anos com essa cara? Quem pensas que enganas? O teu “jovem” marido, um príncipe que deu o golpe do baú?

Bela Adormecida: Pelo menos, não me recuso a crescer, não bato o pé, não ranjo os dentes como um cão raivoso ao ver adultos. E, sobretudo, não choro como uma menina!

Peter Pan: Eu não choro como uma menina! Nunca mais falo contigo.

Bela Adormecida: Óptimo! Ainda bem.

Peter Pan: Estúpida!

Bela Adormecida: Mal-educado!

Peter Pan: Vaca!

Bela Adormecida: Boi!

Peter Pan: Besta Quadrada!

Bela Adormecida: Filho de uma grande … Vais levar duas palmadas.

Peter Pan: Adeusinho!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Matrioska no Jardim

Matrioska no Jardim


Olha ela! A Matrioska toda contente no meio das florinhas!

Ela anda sempre cheia de frio, mas nesta fotografia está bem descontraída. Se não fosse a relva, quase parecia estar na praia!

No país da Matrioska faz tanto, tanto, mas tanto frio que se dermos um espirro... ele fica congelado na ponta do nosso nariz!

Quando chegou a Portugal (a foto foi tirada cá por um turista espanhol também de visita ao nosso País) a Matrioska ficou encantada com o sol bom que fazia.

Depois alguém lhe disse, se calhar foi o turista espanhol:
- É o sol da Primavera!

E foi aí que a Matrioska se atirou para meio das florinhas e ficou para ali a rebolar a tarde inteira.

Pelo meio aproveitou para tirar estas fotos.