segunda-feira, 7 de abril de 2008

O Reino-da-Bela-Vida

História sobre um reino onde nunca faltava alimento...
De tal maneira a vida era folgada que este reino ficou conhecido para sempre por Reino-da-Bela-Vida.



Neste sítio extraordinário, a terra era tão fértil que um pé de couve crescia num só dia.
Os habitantes do Reino-da-Bela-Vida tinham que comer o ano inteiro, eram redondos como pipas e andavam sempre satisfeitos.



O rei Bechamel I era o rei deste reino fantástico. Ele andava sempre enfadado, pois nunca havia nada que fazer.
Apesar disso tinha muitos Conselheiros… que não o aconselhavam como é suposto fazerem!
Mal ouviam o real:
-OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOH!
Os conselheiros corriam para entretê-lo com acrobacias, malabarismos, canções, truques de magia, histórias… mas no final ouviam sempre o real:
-OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOH!




Um dos passatempos favoritos do rei Bechamel I era contar as moscas que voavam aos esses na Sala do Trono.
Certo dia, já tinha contado mil moscas e ia para a milésima primeira, quando é interrompido pela correria dos Conselheiros.
Uma desgraça caíra no próspero Reino-da-Bela-Vida!




Os campos estavam tão secos que nem as batatas davam grelo! Secos como pedras!
As árvores da floresta tombavam como lenha seca!
Até o mar estava vazio! As redes de pesca vinham vazias! Não se pescava nada! Nem um berbigão!



O rei Bechamel I do alto do seu trono, bateu com o ceptro no chão e disse bem alto:
- Eu ordeno que mil homens carregados de mil baldes se dirijam até aos rios e aí os encham com água para regar os campos secos!
Mas isso era impossível explicaram os Conselheiros roendo as unhas. O leito dos rios de tanto ser usado para tornar as terras férteis, transformara-se num fiozinho de água lamacenta que mal dava para beber!




Do Reino-da-Bela-Vida chegavam notícias cada vez piores!
Quando um Mensageiro anuncia que o povo luta entre si por comida numa paisagem árida, sem bichos, nem plantas, os Conselheiros correm para ajudar as suas famílias!
Para trás fica o rei Bechamel I, sem saber o que fazer. Mergulhado nas doces memórias de um reino abundante, ele acaba por adormecer e sonhar um sonho horroroso.




No sonho, entrava pela janela um grão de areia muito dourado, rodopiava pela sala e pousava aos seus pés.
A seguir vinha outro grão, depois outro e ainda outro e outros se seguiam a estes, até fazerem um vasto deserto dourado que cobria o reino de lés-a-lés, engolindo-o e fazendo-o desaparecer para sempre.
Então o rei começava a chorar mas as lágrimas não corriam, porque ele estava coberto de areia. Aflito, ele esperneava para se soltar da areia que o prendia.




- Au! – gritou alguém que não estava dentro do sonho horroroso.
- O que estás a fazer aqui? – perguntou o Rei Bechamel que acordou logo com aquele grito.
À sua frente estava um Conselheiro agarrado ao nariz! Sem querer o Rei tinha-lhe dado um pontapé mesmo em cheio.
Ao ouvir os suspiros do Rei, este Conselheiro tinha tido pena dele e decidiu ficar para o ajudar. Por isso respondeu:
- Eu estou aqui para ajudar a trazer de novo a água aos rios, os animais à floresta e o azul ao céu!


E assim os dois lembraram-se de aproveitar a frescura da chuva, a força do vento e o calor do sol para fazer renascer o Reino-da-Bela-Vida.



Rei e Conselheiro, conseguiram unir todas as pessoas do reino, explicaram-lhes o plano e de um dia para o outro foram construídos tanques de água no cume das montanhas, moinhos de vento nos rochedos junto ao mar e colocados espelhos nas telhas das casas!
Aos poucos na terra o musgo apareceu, deu lugar à relva que deu lugar às árvores, que deram abrigo aos pássaros que chamaram os outros animais para a floresta, para a água do rio e do mar.




O Rei Bechamel I reuniu, depois, os súbditos e todos juntos prometeram cuidar de cada bicho, de cada flor, de cada folha, de cada gota de água do Reino-da-Bela-Vida.
No fim de tudo isto, o Rei Bechamel I sentou-se no seu trono para ver a noite que caía pela janela. E sentia-se feliz como nunca se tinha sentido.



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